Crise do Covid-19 Parte 1
O mundo enfrenta mais uma pandemia
viral, trazendo consequências econômicas e sociais de grande impacto em quase
todos os países. Neste momento já existe uma grande redução na atividade econômica
global, com reflexos no comércio internacional, no turismo, nos mercados
financeiros, na paridade das moedas principais, no preço das comodities e na
renda per-capita (especialmente nos países em desenvolvimento), dentre outros.
No Brasil não será diferente, nas
linhas gerais, mas teremos características próprias. Infelizmente, estas mais
complicarão a saída desta crise do que em outros países, mais sólidos social e
economicamente.
Tudo indica que passaremos por uma
nova recessão, mais profunda e mais duradoura do que em 2015/2018. O desemprego
deverá atingir níveis mais elevados, especialmente no setor industrial,
comercial e de serviços. O agronegócio será menos afetado, mas irá depender do
preço das comodities agrícolas no mercado internacional. Profissionais liberais
e autônomos também terão a demanda de seus serviços afetados, achatando
rendimento individual e de pequenas empresas (MEI e SIMPLES).
O custo das medidas de proteção
sanitárias e econômicas dos governos, somado à queda na arrecadação de impostos
federais, estaduais e municipais, produzirão um aumento considerável nos gastos
públicos, QUE JÁ SÃO ABSURDAMENTE ELEVADOS NO BRASIL. Ou seja, componente para
trazer de volta o fantasma da inflação, assim como inadimplência no setor
público, com atraso nos pagamentos de salários e fornecedores, além da
deterioração (maior) nos serviços essenciais...
A redução na renda, a piora na
quantidade e qualidade dos serviços públicos prestados e uma retomada da
inflação serão ingredientes para um aumento na instabilidade social e política,
para muito além dos atuais confrontos entre Executivo, Congresso e STF.
Infelizmente, neste quadro provável, investidores externos tenderão a adiar
qualquer perspectiva de trazer capitais ao Brasil, o que atrasará ainda mais a
recuperação econômica.
Nestes primeiros meses do
confinamento horizontalizado, assistimos a um crescimento brutal em alguns
tipos atividades e comportamentos, em especial:
a Serviços de Delivery. Especialmente
motoboys souberam aproveitar-se da situação, promovendo um crescimento intenso
na circulação de mercadorias através deste meio;
b Comércio Eletrônico. O B2C teve um
incremento expressivo neste período, não somente nas formas tradicionais (sites
e Market Places), mas também através de Facebook e Instagram;
c WhatsApp. A comunicação interpessoal por este
veículo nunca foi tão intensa quanto agora. Inclusive a oferta de serviços e
produtos, acionada por membros, amigos ou parentes dos milhões de grupos em
atividade;
d Home Office. As empresas, profissionais e
entidades estão se utilizando de diversas ferramentas de comunicação para
teleconferências, reuniões e até assembleias gerais. Muitas estão descobrindo
as vantagens e facilidades destes meios e, provavelmente, passada a pandemia,
continuarão a usá-las, buscando aumentar velocidade e qualidade, reduzindo
custos com deslocamentos;
e Educação Online. Através da internet ou mesmo da TV
digital aberta, instituições de ensino, profissionais autônomos, governos,
promovem uma enxurrada de ofertas de material didático, não necessariamente
criadas para estes meios;
f Shows Onlines. Bandas, artistas individuais,
amadores, etc, promovem miríades de lives na internet, batendo, inclusive,
alguns recordes de audiência neste canal;
Alimentação domiciliar. O confinamento
de muitas famílias (cerca de 50 %) nos maiores centros urbanos, transferiu o
almoço, em especial, de restaurantes e self-services para as residências. Ao
ponto de faltarem botijões de gás nas revendas...
h Diminuição no deslocamento. A redução no
fluxo de tráfego, por todos os meios, levou as cidades, especialmente as
maiores, a um nível de fluidez no seu trânsito como há décadas não se assistia;
i Atendimento Médico não-presencial. Por razões
verdadeiras, ou por tendências depressivas, houve uma enxurrada de “consultas”
virtuais aos profissionais médicos, levando, inclusive, o Governo Federal e o
Conselho Nacional de Medicina a legalizarem o procedimento (até então inválido)
em caráter temporário;
O crescimento na audiência da mídia tradicional
eletrônica. Momentaneamente, inverteu-se o processo de abandono da
mídia tradicional eletrônica. Picos de audiência em noticiários, como há anos
não ocorriam, voltaram a acontecer. Em grande parte provocados pelo
“terrorismo” do COVID-19;
Um esgarçamento inédito nas relações entre Executivo
Federal, Congresso Nacional e STF. O Brasil assiste a um processo de
“parlamentarismo branco”, com o Congresso (apoiado pelo STF, a maioria dos
governadores e pela mídia tradicional) assumindo a pauta econômica e, deixando
caducar as MPs ou não pautando PLs enviados pelo executivo. Presidência
assemelha-se à “Rainha da Inglaterra”.;
Uma deteriorização no valor do Real frente ao Dólar. Nunca, em
nossa história, o Real esteve tão desvalorizado em relação ao Dólar americano.
Isto impacta, negativamente, nas pautas de importação do país, encarecendo a entrada
de matérias primas e produzindo inflação “importada” de custos. Por outro lado,
ajuda o agronegócio, valorizando as exportações e aumentando a renda do setor.
Mas expressa uma mudança importante no valor do Real.
Mas não basta constatar este panorama
e prever anos difíceis. A pergunta (cuja resposta vale um milhão de dólares) é:
o que fazer, então?
A resposta não é fácil nem poderá ter
uma abrangência genérica: cada caso será um caso...
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